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O Evangelho e Nós

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11. Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?

Resposta: “Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá.”

Allan Kardec: A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral, o seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz ideia mais justa da Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme à sã razão.

O MISTÉRIO DA DIVINDADE

O mistério da Divindade está distante da compreensão humana, por faltarem ao homem sentidos para tal. As seqüências misteriosas dos Espíritos a Deus são infinitas e os caminhos são igualmente sem fim. O crescimento da alma vai lhe dotando de poderes, de sorte a conhecer mais profundamente o mundo espiritual e as leis que governam toda a criação divina; todavia, essas leis são agentes movidos pela, Sua poderosa mente, que abrange toda a extensão Universal.

No estágio em que nos encontramos, encarnados e desencarnados, não devemos pensar em conhecer a intimidade de Deus. É, pois, querer saltar para o inconcebível, desrespeitando a harmonia da gradatividade, da sabedoria maior. Alguns homens inexperientes afirmam que não existem mistérios para os espiritualistas. Como se enganam esses nossos irmãos! Quanto mais nos conhecemos, mais sabemos que nada sabemos, em se falando das dimensões que se escondem nas dobras da escala evolutiva e nos segredos da Divindade. Os que dizem conhecer tudo, nada sabem; são pseudo-sábios diante da sabedoria maior e lhes falta humildade e as primeiras chaves, o conhecimento das regras de viver em harmonia consigo mesmo. Certamente que é o orgulho se movendo em seus sentimentos e a vaidade egoísta iludindo seus corações.

Quando Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, afirma que “fora da caridade não há salvação”, está nos mostrando que o ambiente da benevolência prepara e nos ajuda a despertar os talentos internos, de maneira a observarmos outras nuances das leis que até então não tenhamos percebido. A caridade, em todas as suas feições, é força divina no divino aprendizado de todos os Espíritos. E luz nas mãos de quem deseja ser iluminado, é chave que abre muitas portas do saber, porque a caridade é, por excelência, Amor. Quem quiser conhecer mais um pouco dos mistérios de Deus, que faça e viva a caridade, que ela dotará esse trabalho de poderes para essa visão interna, de sentidos apropriados para compreender os efeitos das leis divinas.

Outra coisa valiosa que recomendamos para todas as criaturas é o exercício da oração. Não devemos esquecer a prece em todas as circunstâncias. Ela desata e desenvolve os fios dos pensamentos, impulsionando-os em todas as direções, de acordo com os sentimentos que os geraram, tem a capacidade de recolher os frutos na mesma dimensão em que foram emitidos. Nós somos mundos com imensuráveis qualidades a se desenvolverem, dependendo do que quisermos fazer delas, do nosso esforço e fé nas nossas realizações para o bem próprio e da coletividade.

Se estás em busca de mistérios que muito te atraem, na verdade te dizemos que existem muitos mistérios no mundo íntimo de cada criatura e eis aí a grande oportunidade de estudarmos a nós mesmos e nos deliciarmos com os nossos tesouros íntimos. O amor é qual um sol que se divide em variadas virtudes. Vamos observar esse fenômeno maior dentro de nós, com honestidade nas boas obras, que os véus vão caindo em seqüências que suportamos e a serenidade dominar-nos-á a consciência. Esses são os mistérios menores, representando uma universidade onde deveremos permanecer por um tempo que não podemos determinar. Despertemos para esse trabalho louvável e dignificante, de nos conhecermos a nós mesmos, porque conhecer a Divindade como pretendemos somente será possível depois que nos tornarmos Espíritos Divinos, e, mesmo assim, vamos encontrar em nossos caminhos de luz, mistérios e mais mistérios a desvendar, o que haveremos de fazer com amor e alegria espiritual.

Que Deus nos abençoe nesta jornada infinita do acordar para a Luz!

Miramez, no livro Filosofia Espírita

Perguntas anteriores:

 

10. Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?
9. Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?
8 – Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?
7. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?
6. O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de ideias adquiridas?
5. Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?
4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
3. Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito?
2. Que se deve entender por infinito?
1. O que é Deus?

TRABALHO

“E Jesus lhes respondeu: Meu Pai obra até agora, e eu trabalho também.” — (João, capítulo 5, versículo 17.)

Em todos os recantos, observamos criaturas queixosas e insatisfeitas.

Quase todas pedem socorro. Raras amam o esforço que lhes foi conferido.

A maioria revolta-se contra o género do seu trabalho.

Os que varrem as ruas querem ser comerciantes; Os trabalhadores do campo prefeririam a existência na cidade.

O problema, contudo, não é de género de tarefa, mas o de compreensão da oportunidade recebida.

De modo geral, as queixas, nesse sentido, são filhas da preguiça inconsciente. É o desejo ingénito de conservar o que é inútil e ruinoso, das quedas no pretérito obscuro.

Mas Jesus veio arrancar-nos da “morte no erro”.

Trouxe-nos a bênção do trabalho, que é o movimento incessante da vida. Para que saibamos honrar nosso esforço, referiu-se ao Pai que não cessa de servir em sua obra eterna de amor e sabedoria e à sua tarefa própria, cheia de imperecível dedicação à Humanidade.

Quando te sentires cansado, lembra-te de que Jesus está trabalhando.

Começamos ontem nosso humilde labor e o Mestre se esforça por nós, desde quando?

Emmanuel, Caminho, Verdade e Vida, psicografia de Francisco Cândido Xavier

Faixa de Conversação

Quando abrires a boca para inicio de conversação, é providencial que não te esqueças de analisar, com Jesus, o que vais falar aos outros, porque o que semeares na mente do teu próximo colherás com abundância, de formas variadas. Esta é a lei: recebemos o que damos.

Devemos ser permanentes na arte da auto-educação da voz. A maneira de falar é, pois, o juiz do orador. O costume de pronunciar palavras lapidadas na ternura, na cordialidade, na brandura e respeito, leva-nos ao ponto alto do amor, de sorte que os anjos respondem a esse esforço, por vezes com presença espiritual inesquecível. E o céu vindo a nós, por termos aberto as portas do coração.

Quem conhece um pouco sobre a palavra e a fisionomia, lê por fora o que somos por dentro, mesmo que façamos todo esforço possível para esconder a realidade. Cabe-nos anunciar que é impossível esconder o que se passa em nosso íntimo, pois a faixa de sintonia da mente para com o corpo é completa. Quando os pensamentos estão desajustados, o físico entra em decadência. Quando o corpo está enfermo, a mente se desequilibra.

É iniciativa de ouro procurarmos os dois tratamentos, corpo e mente. E podes fazer muito quando dispões de boa vontade. Se ainda não conseguiste educar os teus pensamentos, se as tuas ideias estão desarmonizadas, começa com a disciplina das conversações e vai fazendo como se estivesses subindo uma escada, até alcançares
os altiplanos da mente. Aí, então, poderás subir e descer nesse trabalho de ajuste e conserto da tua própria personalidade.

Cada criatura tem um nível de conversação, e já assentou as bases dos assuntos nos moldes escolhidos por influência do meio e pelo que atingiu na escala de elevação almejada. Compete à alma desdobrar-se em esforço maior, buscando mais além, por ter chegado o tempo de quem pretende iluminar-se.

Já tiveste a oportunidade de observar a maravilha da natureza numa cascata, na profusão de água que beneficia as coisas e os homens? Pois bem, a tua boca pode ser, como a cascata, o veículo do manancial existente em ti, com propriedades maiores. E pode ser uma profusão de fluidos espirituais, ajudando a humanidade, sem exclusão de uma só pessoa, plantas ou animais, e até mesmo da natureza, que está nos despertando para tal.

Ao abrires as comportas dos lábios, nunca te esqueças de que irás oferecer água aos sedentos e do tipo de liquido que deve ser dado aos que choram e sofrem de sede espiritual. Cuidando bem dessa fonte, ela se tornará como aquela que Jesus fez nascer no coração da Samaritana, ao lado do poço de Jacó, noticiada por João, no capítulo
quatro, versículo quatorze: ”Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna”. E acrescenta adiante: “Quem crer em mim, como diz a escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. — anotado pelo mesmo apóstolo, no capítulo sete, versículo trinta e oito.

Nós outros devemos proceder qual a Samaritana: pedir ao Senhor que desperte em nós essa fonte que já trazemos no coração por bênção de Deus, e que nos ajude a mantê-la como suprimento inesgotável para a vida eterna… Para tanto, temos de lutar um pouco. O Senhor, verdadeiramente, nos ajuda mais do que pensamos. No entanto, os primeiros passos haverão de ser nossos. Andemos logo, que os caminhos ficarão mais curtos. Tornemos a andar, que nos aproximaremos da meta. Esforcemo-nos de novo, que a glória nos banhará com a luz do próprio esforço.

Saiamos da faixa das conversações inferiores, para o dinâmico nivelamento das palavras divinas, que encantam, disciplinam e educam, quando Deus nos usa como mestres e alunos, sem nos desligar de todos os nossos irmãos em Cristo Jesus. E, depois, dirás com alegria: “como é bom falar, vibrando a língua na faixa da luz!”

Miramez, no livro Horizontes da Fala

A indulgência

Espíritas, queremos hoje falar-vos da indulgência, esse sentimento tão doce, tão fraternal,que todo o homem deve ter para com os seus irmãos, mas que tão poucos praticam. A indulgência não vê os defeitos alheios, e se os vê, evita comentá-los e divulgá-los. Oculta-os, pelo contrário, evitando que se propaguem, e se a malevolência os descobre, tem sempre uma desculpa à mão para os disfarçar, mas uma desculpa plausível, séria, e não daquelas que, fingindo atenuar a falta, a fazem ressaltar com pérfida astúcia.

A indulgência jamais se preocupa com os maus atos alheios, a menos que seja para prestar um serviço, mas ainda assim com o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, nem traz censuras nos lábios, mas apenas conselhos, quase sempre velados. Quando criticais, que dedução se deve tirar das vossas palavras? A de que vós, que censurais, não praticastes o que condenais, e valeis mais do que o culpado. Oh, homens! Quando passareis a julgar os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos e os vossos próprios atos, sem vos ocupardes do que fazem os vossos irmãos? Quando fitareis os vossos olhos severos somente sobre vós mesmos?

Sede, pois, severos convosco e indulgentes para com os outros. Pensai naquele que julga em última instância, que vê os secretos pensamentos de cada coração, e que, em conseqüência, desculpa freqüentemente as faltas que condenais, ou condena as que desculpais, porque conhece o móvel de todas as ações. Pensai que vós, que clamais tão alto: “anátema!” talvez tenhais cometido faltas mais graves.

Sede indulgentes meus amigos, porque a indulgência atrai, acalma, corrige, enquanto o rigor desalenta, afasta e irrita.

José, Espírito Protetor, Bordeaux, 1863
O Evangelho Segundo o Espiritismo

Melancolia

Sabeis por que,às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos corações e vos leva a considerar amarga a vida? É que vosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, jungido ao corpo que lhe serve de prisão, em vãos esforços para sair dele.

Reconhecendo iníteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia, e vos julgais infelizes.

Crede-me, resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma vida melhor, mas, não as busqueis neste mundo e, agora, quando Deus vos envia os Espíritos que lhe pertencem, para vos instruírem acerca da felicidade que Ele vos reserva, aguardai pacientemente o
anjo da libertação, para vos ajudar a romper os liames que vos mantém cativo o Espírito.

Lembrai-vos de que, durante o vosso degredo na Terra, tendes de desempenhar uma missão de que não suspeitais, quer dedicando-vos à vossa família,  quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou. Se, no curso desse degredo-provação, exonerando-vos dos vossos encargos, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os resolutos. Duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão os braços, a fim de guiar-vos a uma região inacessível às aflições da Terra.

François de Genève, Bordeaux

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, 25